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Um panorama da educação domiciliar

Derrubando mitos e trazendo luz à discussão sobre a pluralidade no ensino

INTRODUÇÃO

É da cultura popular que a escola é o espaço onde se pode adquirir conhecimento e favorecer avanços na formação do indivíduo, para que este venha então a se tornar um cidadão ativo em seu meio. Esta visão acerca da importância da escola está muito presente no Brasil, onde o governo detém o monopólio da educação. Aqui o estado define todos os parâmetros a serem seguidos neste setor. Porém, a má administração pública vem afetando de maneira drástica e negativa a educação dos jovens brasileiros, comprovando pela enésima vez a ineficiência estatal.

Políticos com discursos populistas continuam atraindo a população com projetos mirabolantes para melhorar o ensino. Com isso visam a reforçar própria atuação e influência sobre a educação – seja no setor privado ou público. Entretanto, sabemos que esses projetos correspondem a mais uma de várias promessas que não serão cumpridas.

Assim, por meio deste artigo apresento uma alternativa, baseada em uma filosofia de liberdade, para nos distanciarmos da influência estatal: o homeschooling (educação domiciliar).

UMA ALTERNATIVA: HOMESCHOOLING

O Brasil, entre os séculos XVII e XX, continha um número maior de pessoas educadas em domicílio do que nas escolas. Professores particulares de diversas disciplinas ministravam aulas nas casas e alguns deles moravam nas residências onde lecionavam. Com o fortalecimento da escola na sociedade, surgiu a visão segundo a qual ela é o único veículo legítimo para a aprendizagem. A educação domiciliar foi sendo extinta e profissionais da educação, devido à estabilidade financeira que o Estado propiciava com seus cargos públicos, migraram para as instituições de ensino formais.

Homeschooling surgiu como uma alternativa de ensino que se afastasse da ideia de que a escola seria o único local para obtenção de conhecimento. Com o intuito de romper com o ensino engessado praticado nas escolas, surgiram tentativas para melhorar a educação, como a escola de tempo integral, escola nova, escola plural entre tantas outras.

Atualmente, existem cerca de 5.000 famílias praticantes do Homeschooling no Brasil, segundo dados recentes da Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED). Porém, este é um assunto permeado por polêmicas. Escutamos diversos discursos contrários à prática, segundo os quais ela provocaria carência intelectual e faltaria a muitos pais a capacidade para formar os próprios filhos. As crianças de pais adeptos da prática enfrentariam ainda dificuldades de socialização, “sendo necessário conviver com outras crianças para aprender a se relacionar, a lidar com as diferenças, etc.”

Os profissionais da educação costumam trazer a reflexão de que a escolarização é indispensável, pois a escola é um local onde ocorreria a formação do cidadão e de uma sociedade democrática. Com este pensamento, o paradigma desses profissionais aproxima-se do da educação estatal, por crerem que a escola é o único lugar de obtenção do saber e desqualificarem a educação domiciliar. Mas será que ao aplicar essa ferramenta polêmica de ensino os estudantes são prejudicados em sua formação?

OS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DOMICILIAR

A família que opta por essa forma de aprendizagem está procurando uma educação de qualidade e fugindo das burocracias. Claro, não devemos generalizar; é possível haver casos de pais que negligenciam a educação do filho, que acaba prejudicado. Porém, as famílias que participam da formação instrução obtêm resultados positivos, como comenta Medlin (2013), em seu artigo Homeschooling and the Question of Socialization Revisited:

[…] crianças são ativas, participantes contribuidoras em sua própria socialização e como as crianças se desenvolvem é (e deve ser) parcialmente autodeterminado. [Os pais] querem que as crianças aprendam a respeitar e conviver com pessoas de todas as idades e históricos. Eles usam uma grande variedade de recursos de fora da família para dar aos filhos a oportunidade de interagir com os outros. E eles acreditam que as habilidades sociais de seus filhos habilidades estão se desenvolvendo apropriadamente.

É frequente depararmo-nos com argumentos de que essa modalidade de ensino é para pessoas que têm uma condição financeira favorável, mas pesquisas contradizem esse discurso. Um juízos de valor bastante comum é o de que no homeschooling se priva o aluno da interação com as pessoas, mas a verdade é que também existem alunos antissociais em escolas. Nós devemos entender que existem pessoas de várias personalidades. Ademais, o desenvolvimento das habilidades sociais também não é prejudicado no homeschooling, pelo contrário: os ambientes são construídos para desenvolver o traquejo social e contêm materiais bem elaborados para a obtenção de conhecimento. Os estudantes demonstram pontuação acima da média independentemente do grau de escolaridade ou faixa de renda dos pais, os quais são seus professores/tutores nesse processo, e possuem pontuação acima da média em testes admissionais para universidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A educação domiciliar é uma alternativa de ensino que não anula a escola. É uma ferramenta por meio da qual a família exerce seu direito de educar seus filhos e não ficar à mercê do Estado. Existem evidências científicas que defendem e favorecem a aplicação deste modelo.

A perspectiva trazida pelo homeschooling contrapõe a de que a escola é o único local adequado para serem formados cidadãos livres e participativos. Ele contribui para a difusão da prática e enseja reflexões nos educadores acerca do papel da escola, que podem então começar a compreender as suas falhas. Deste modo a função da escola como formadora do indivíduo principia a a ser contestada.

A proposta dessa ferramenta é o distanciamento da influência estatal, devido aos riscos da influência do governo sobre a educação. Cabe aos profissionais da educação adaptarem-se a essa nova vertente (se estiverem mesmo preocupados com ensino de qualidade), adquirirem conhecimento e perceberem as potencialidades desse recurso.