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Salvar a economia ou salvar as pessoas?

Será que salvar a economia salvaria a  felicidade das pessoas?

Nestes tempos onde há uma preocupação sobre o alastramento de uma doença temos uma decisão difícil a fazer: Salvar a economia ou salvar as pessoas?

Obviamente a primeira coisa que pensamos é salvar vidas já que não há dinheiro no mundo que possa ressuscitar alguém, mas a perda de empregos também causa fome e outros fatores como violência e criminalidade, sendo que a economia é formada por pessoas como já diz Mises:

“A economia não trata de coisas ou de objetos materiais tangíveis; trata de homens, de suas apreciações e das ações que daí derivam.”

Um dos argumentos utilizados é que pelo problema ser uma doença devemos ouvir médicos, infectologistas e virologistas assim como problemas relacionados a clima devemos ouvir um meteorologista, correto? Mas quando tais profissionais da saúde sugerem fechamento do comércio isso também não se torna um problema econômico? Com certeza sim e ignorar isso é talvez abrir mão de muito mais vidas.

Olhando para os resultados já obtidos nessa quarentena temos dados realmente preocupantes:

  • Mais de 600 mil pequenas empresas fechadas;
  • Mais de 5 mil demissões em bares e restaurantes no Ceará;
  • Número recorde de pedidos de seguro desemprego nos EUA;
  • Mais de meio de bilhão de pessoas voltaram a linha da pobreza no mundo todo;

Poderiam ser citados muitos outros reflexos da decisão quase unânime escolhida pelos governantes de diversas nações pelo globo. O fechamento de pequenas empresas que são maiorias no nosso país e que geralmente tem muito pouco ou quase nada em caixa já significa o desemprego de milhões de pessoas. Sobre as profissões que não podem ser realizadas por home office o desemprego é inevitável, assim como no exemplo citado, garçons em diversas cidades perderam seus empregos e podemos citar diversas outras profissões que estão tendo resultados semelhantes.

Não pense que notícias negativas em outros países sejam menos importantes, pois a economia nos conecta de tal forma que ao comprar um pão levando em conta o caminho de fabricação do mesmo até a sua chegada na prateleira, ao ir 3 ou 4 processos para trás há uma grande possibilidade que trabalhadores estrangeiros estejam envolvidos, mesmo que o Brasil não fosse afetado pela pandemia a recessão externa iria diminuir vendas de produtos brasileiros, já que comerciantes estrangeiros não teriam dinheiro, e devido a falta de oferta dos produtos estrangeiros o aumento deles podem encarecer inclusive o pão citado anteriormente e causando inflação em diversos produtos básicos por aqui.

A economia em um gráfico: aumento significativo de pedidos por seguro desemprego em 2020.
FonteFederal Reserve Economic Data(FRED)

O gráfico acima descreve o pedido inicial de seguro desemprego nos EUA, talvez nem precise de uma explicação, o que está acontecendo agora deixa crises anteriores parecerem como meras distorções de mercado, levando em conta que a crise apenas está começando o efeito mostrado é instantâneo e fica difícil pensar que o pior ainda está por vir. O reflexo econômico no Brasil não parece ser muito diferente a dito anteriormente, estudos mostram que há uma relação entre aumento do desemprego e aumento da violência, onde com 1% de aumento no desemprego temos 1,8% no aumento da violência, já que sem ter como se sustentar alguns indivíduos partem para ilegalidade.

Outro ponto alarmante é o fato de que a crise de 2008 causou mais de 500 mil mortes por câncer ocasionadas pela incapacidade dos desempregados de continuar pagando planos de saúde e da diminuição da arrecadação que impediu um aporte maior à saúde pública que passou a atender mais pessoas, os pesquisadores ainda apontam que um aumento de 1% no desemprego está associado com um acréscimo de 0,37 na relação morte por câncer por 100 mil habitantes.

Mesmo que você tenha mantido seu emprego, o lockdown que está sendo feito poderá fechar algumas empresas que são clientes da sua, e como citado acima você pagará mais por certos produtos, além de que alguns efeitos poderão chegar só no longo prazo, ou seja, diferente do que muitos pensam a economia conecta todos nós, a mudança na renda de um indivíduo pode gerar mudança na renda de outros indivíduos e assim por diante, o que dá ainda mais sentido a frase de Mises citada no início do texto, portanto pensar na economia também é um ato de pensar no próximo.