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Por que o quero-quero é o verdadeiro símbolo da liberdade no Brasil

A foto abaixo é a do corredor britânico Lewis Hamilton vestido completamente com a bandeira de Gadsden, um símbolo comumente utilizado por liberais e libertários que vem sendo acusado pela esquerda de ser um símbolo racista e supremacista branco. Se este fosse o caso, porque então um famoso ativista pela igualdade racial como Hamilton a estaria vestindo?

A resposta para isso é contexto: nos EUA, a bandeira de Gadsden é respeitada por seu valor histórico como uma versão alternativa da bandeira nacional e, portanto, carrega os valores de seus pais fundadores. Outros países como o Reino Unido conseguem entender seu significado devido ao seu próprio histórico de luta contra os abusos autoritários do governo. Já no Brasil, onde esse contexto histórico liberal não existe na tradição popular, ela é só um conceito importado, uma bandeira vazia para a população geral e, portanto, indefesa contra as tentativas da esquerda de associá-la a movimentos fascistas.

Quando nós brasileiros vemos essa bandeira sendo usada por reacionários e nacionalistas americanos na invasão do capitólio, nos falta o conhecimento para entender que eles não estão representando os valores da bandeira, mas apenas a usando pelo saudosismo de ser a primeira bandeira da independência americana.

Precisamos de um símbolo nosso

Para alcançar os corações dos brasileiros e melhor disseminar as ideias de liberdade, é preciso um símbolo capaz de representar essas ideias de maneira simples e acessível a pessoas de quaisquer classes sociais. Para isso, ouso dizer que há um animal presente em todo o Brasil que representa estes valores muito melhor do que a própria bandeira de Gadsden: o quero-quero.

Pássaros normalmente são associados à liberdade por poderem voar para onde quiserem e assim evitar predadores, certo? Os quero-queros vão na direção oposta e, mesmo podendo voar, escolheram criar seus ninhos no chão, em campos a céu aberto onde é impossível se esconder. Para sobreviver neste meio, os quero-queros precisaram incorporar a essência da cobra de Gadsden: qualquer predador que chegar perto de seu ninho, seja ele só uma pombinha ou um temível gavião, será recebido com altos e incessantes piados avisando para ficarem longe. Se ele ignorar esses avisos e avançar, até mesmo o mais poderoso predador será ferozmente atacado pelos quero-queros.

Indo além da cobra de Gadsden

A sugestão dos quero-queros como símbolo, porém, vai além de uma mera versão alternativa da bandeira de Gadsden. Há nos quero-queros um outro comportamento que os faz incorporar os valores da bandeira de Gadsden melhor do que a própria cobra: sua vigilância constante.

Os quero-queros são aves de sono leve, em cujos bandos membros diferentes dormem em horários diferentes. Com isso eles garantem que sempre haverá um deles acordado por perto para resistir ao possível predador com altos piados, acordando assim os outros do bando para resistir à nova ameaça. Esse “alarme natural” é tão eficaz que até mesmo outras espécies, como capivaras, gostam de viver perto dos quero-queros como proteção contra predadores.

Um símbolo popular do espírito da liberdade

Apesar de seu apelo nos países de língua inglesa, são poucos aqui no Brasil que conseguem compreender a cobra de Gadsden. Afinal, a muitos de nossa população falta o inglês para sequer entender o que “don’t thread on me” significa.

O quero-quero, porém, é uma ave existente em todo o território nacional, e cujo comportamento é familiar para os brasileiros de todas as regiões e de todas as classes sociais. Todos nós sabemos que eles são aves que escolheram ter ninhos no chão mesmo podendo voar. É onde eles querem estar, e estão dispostos a defender essa escolha independentemente de quem venha a atacá-los por isso.

Não seria esse o espírito dos movimentos liberal e libertário? Um grupo de indivíduos que defende a continuidade dos valores de liberdade (ninho) da opressão estatal (os predadores) com uma vigilância constante tão poderosa que atrai e protege os outros membros da sociedade (capivaras e outros animais menores) contra essa opressão? Um grupo que poderia facilmente fugir ou esconder suas ideias, mas que as deixa expostas a céu aberto para o resto do mundo ver porque tem a coragem de defende-las de quem quer que seja?

Para mim, os quero-queros são um exemplo natural do que os defensores das ideias de liberdade almejam ser, e que representa não apenas os defensores de liberdade como o próprio ideal de uma sociedade livre. Por isso, ouso dizer que o quero-quero é o verdadeiro símbolo brasileiro da liberdade.


Autor: Paulo Grego