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Inflação monetária, estatismo e Bitcoin em tempos de coronavírus

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As crises sanitária e econômica que se instauraram devido à pandemia do Coronavírus mudou drasticamente o cotidiano de toda a população. O desemprego em massa já é uma realidade ao redor do globo, e todo o conjunto de maus agouros que o acompanha ronda nossas portas fechadas.

O cenário de crise representa oportunidade ímpar para que políticos e burocratas, com anseios populistas e finalidades eleitoreiras, tomem medidas escandalosas que soam bem sob os holofotes da mídia: congelamento de preços, “auxílio” fiscal, fechamento de estabelecimentos e impressão massiva de dinheiro para “salvar” a economia.

As impressoras de dinheiro dos bancos centrais de países do mundo inteiro trabalham a todo vapor, a exemplo dos Estados Unidos, que anunciaram “bombas” de dólares para serem injetadas na economia mundial.

No Brasil não é diferente: sucessivos anúncios dão conta de quantias astronômicas de reais que serão destinadas à salvação de bancos, empresas, microempreendedores e autônomos. Viva, é dinheiro de graça para todos!

Todavia, o aumento de oferta monetária proporcionado pela criação de dinheiro traz à tona um perigoso fenômeno: a inflação. Sobre o tema, explica-nos Ludwig Von Mises que

O mais importante a lembrar é que a inflação não é um ato de Deus, que a inflação não é uma catástrofe da natureza ou uma doença que se alastra como a peste. A inflação é uma política — uma política premeditada, adotada por pessoas que a ela recorrem por considerá-la um mal menor que o desemprego. No entanto, é fato que, a não ser em curtíssimo prazo, a inflação não cura o desemprego.

E continua:

Nenhuma emergência pode justificar um retorno à inflação monetária. A inflação não tem como criar e produzir os bens de capital necessários para qualquer projeto. Não cura condições insatisfatórias. Apenas auxilia temporariamente a mascarar as atitudes dos governantes cujas políticas provocaram a catástrofe.

O autor conclui explicando como sempre terminam as políticas inflacionistas: “a inflação é o complemento fiscal do estatismo. É a grande auxiliar dos governos arbitrários. É uma engrenagem no complexo de políticas e instituições que gradualmente levam ao totalitarismo”.

O perecimento do poder de compra proporcionado pela inflação do papel moeda estatal é nefasto e aflige principalmente os mais pobres, que têm sua capacidade de adquirir bens e produtos diminuída drasticamente. Felizmente, o estágio tecnológico atual propicia alternativa viável à tirania da inflação através do Bitcoin, que possui natureza deflacionária.

De fato, a verdadeira razão de ser do Bitcoin é atuar como forma de impedir a tirania monetária, proporcionando formas de realizar transações globais com baixo custo. O Bitcoin emergiu como uma resposta natural ao colapso da atual ordem monetária (crise do subprime de 2008), à constante redução da privacidade financeira e a uma arquitetura global cada vez mais prejudicial ao cidadão comum. A utilização dessa criptomoeda tem, inclusive, atuado como refúgio em países assolados pelo estatismo, como a Venezuela.

Ao contrário do que acontece com uma moeda fiduciária, nenhum governo pode inflacionar Bitcoin ou apropriar-se de sua rede (que é totalmente descentralizada), e tampouco podem corrompê-lo ou desvalorizá-lo.

O Bitcoin tornou possível, pela primeira vez na história da humanidade, a concorrência contra o cartel dos banqueiros e a moeda dos governos, dando ao indivíduo o poder sobre seu dinheiro e a salvaguarda contra a inflação, contra bancos centrais inescrupulosos, contra confisco e outras arbitrariedades.

Em um cenário de pandemia global em que os estados avançam vorazmente sobre as liberdades individuais e causam caos econômico, o Bitcoin provavelmente trará aos seus usuários resultados positivos e proteção (hedge) contra a inflação. Encerro citando Fernando Ulrich: “A internet nos permitiu a liberdade da comunicação. O Bitcoin tem o potencial de devolver nossa liberdade sobre nossas próprias finanças. Bitcoin é a internet aplicada ao dinheiro”.

REFERÊNCIAS

MISES, Ludwig Von. As seis lições, 9ª ed. São Paulo: LVM Editora, 2018.

ULRICH, Fernando. Bitcoin — a moeda na era digital, 1ª ed. São Paulo: LVM Editora, 2014.