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Fair Play financeiro: a taxação de grandes fortunas do esporte

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A algum tempo no futebol e no basquete temos o Fair Play financeiro, mecanismo utilizado com a principal intenção de diminuir a desigualdade entre os clubes de uma liga. Parece ser uma boa ideia, pois impede que uma equipe tenha um elenco muito forte em comparação ao resto, uma lógica de pensamento de soma zero, onde se alguém ganha outro obrigatoriamente deve perder, mas o que ocorre não é isso, como há clubes que gastam comprando bons jogadores para deixar seus elencos mais fortes, há times que vivem para criar e depois vender tais jogadores.

No basquete esse mecanismo se reflete em um teto máximo de salários que podem ser pagos por um time, sendo atualmente 109 milhões de dólares por equipe, alcançado o valor o time não poderá mais contratar.

Neste texto vamos focar no futebol, o Fair Play financeiro da UEFA, entidade responsável pelo futebol na Europa, começou desde a temporada 2010–11, impedindo que os clubes gastem mais do que arrecadam, havendo um limite de 30 milhões de euros, caso haja uma diferença maior que essa, parte do seu elenco deverá ser vendida para que a conta seja fechada. Há restrições também sobre a entrada de dinheiro no clube onde há um limite percentual de receita que pode vir de patrocínio, que é a forma com é declarada a entrada de investimento feita pelos donos dos clubes, sendo que até 30% da receita de patrocínio pode ser feita por apenas uma empresa ou grupo.

Caso não for cumprida, as punições vão de restrições de compra de jogadores nas próximas temporadas, limite de jogadores no elenco, teto salarial e banimento de competições controladas pela UEFA. A justificativa é o aumento de competição na liga e evitar o endividamento dos clubes, a medida está para ser adotada por aqui pela CBF neste ano de 2020. Abaixo iremos comparar os clubes europeus com maiores receitas e os que mais recebem devido à venda de jogadores.

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Times de futebol com maiores receitas na temporada 2018–19.

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Times de futebol que mais arrecadaram com venda de jogadores desde 2010.

Fazendo uma simples comparação, apenas 5 times aparecem nas 2 listas, os 3 times que mais arrecadam com vendas nem sequer figuram entre os 12 que mais arrecadam, isso significa que apesar de não obter renda através de venda de ingressos, venda de direitos televisivos, patrocínio e outras fontes, times como Benfica, Atlético de Madrid, Mônaco, Roma e Porto se especializaram em estruturar sua base e observar jogadores de times menores para que possam lucrar com os mesmos no futuro. O mercado é assim quando há uma possibilidade de obter renda sempre haverá alguém que a utilizará.

Quando há uma restrição de gastos como o do Fair Play financeiro por mais que haja boas razões como mencionado anteriormente, os resultados podem ser muito mais danosos, ao impedir que times gastem muito mais do que arrecadam além de limitar o investimento dos donos afastam grandes investidores que planejam comprar clubes, pois se você pretende gastar uma grande quantidade de dinheiro e há um limite, para que não haja punição o investidor deve contar com a certeza de que alguns jogadores do time sejam vendidos por um preço que deixe o time seguro no regulamento e que haja mais investimento de outras empresas ou pessoas que não seja ele próprio. Esta soma de fatores aumenta o risco, que é um dos pontos fundamentais do investimento, afastando a possibilidade de termos novos Roman Abramovich(proprietário do Chelsea FC), consequentemente retirando dinheiro do esporte e impedindo seu crescimento de qualidade.

Após este ponto deve pensar que apesar dos pontos negativos ainda há pontos positivos como a competição entre as equipes, mas olhando melhor, isto também é afetado e para pior, pois se estes times irão gastar menos, portanto os times cuja receita depende muito da venda de jogadores irão receber menos o que diminuirá seus investimentos na base, diminuindo a quantidade e qualidade de novos profissionais, e também as compras de jogadores de times menores gerando um círculo vicioso.

Outro ponto é evitar o endividamento dos clubes, mas se um clube se endivida isto é problema do próprio clube não do restante, é muito semelhante a cobrar seguridade social de todos apenas porque alguns não guardam para sua velhice.

Assim como foi visto em nosso país nos últimos anos, Flamengo e Palmeiras enriqueceram muitos times comprando jogadores, além de que times como Grêmio, Santos e São Paulo enriqueceram vendendo jogadores para times mais ricos do exterior, estes fatos aumentaram o dinheiro em circulação no esporte brasileiro aumentando a qualidade do mesmo e sendo possível trazer jogadores medianos que estavam na Europa.

Assim como impostos e restrições aos mais ricos os resultados de tais medidas só afetam aos mais pobres, diferente do estado a CBF e a UEFA são instituições privadas onde seus membros estão ali por livre associação, mas se o estado resolver aumentar a taxação sobre os mais ricos sua única opção é sair para um estado onde seja menos taxado, diminuindo o consumo interno e causando uma evasão de reserva que resulta em menos investimentos, impostos e empregos.