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Controle de preços: uma ideia com boas intenções, mas com resultados desastrosos

Em tempos de instabilidade, seja ela econômica ou social, sempre há um fato que geralmente culpam o capitalismo e a ganância do mercado.

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O aumento dos preços de produtos relacionados a higiene devido ao alastramento do COVID-19 faz as pessoas ficarem revoltadas nas redes sociais criticando donos de farmácias, supermercados, pedindo ou alertando ao Procon que estes empresários estão lucrando e impedindo pobres de obterem os produtos. A questão é onde o empresário decide o preço, talvez em uma função, ouvindo a voz de Deus, perguntando a um cartomante, mas por incrível que pareça nenhum deles, o preço é dado pela importância que os consumidores do mesmo o dão.

O preço em si não tem um valor premeditado, ele pode ser diferente para coisas sendo vendidas a metros uma da outra, ele é um chute ou intuição do empresário ao observar as informações que o mercado oferece. Como a grande maioria dos recursos são escassos, ou seja, finitos, a procura é um fator determinante no preço, assim como você pagaria mais por um copo de água no deserto do que no cotidiano.

Quem trata de mover os preços é a lei da oferta e procura, a lei mais básica e mais conhecida da economia, lei seguida numa feira de bairro e até compra de empresas multinacionais, uma lei tão natural quanta a própria gravidade, sendo fundamental a economia, portanto qualquer que seja a mudança em algum de seus alicerces todo o mercado sofre do problema da escassez.

De fato é triste alguém que não tem condições de obter recursos básicos, mas podemos julgar isso melhor lendo esta citação de Mises.

“Em muitos países há quem considere injusto que um homem obrigado a sustentar uma família numerosa receba o mesmo salário que outro, responsável apenas pela própria manutenção. No entanto, o problema é não questionar se é ao empresário ou não que cabe assumir a responsabilidade pelo tamanho da família de um trabalhador. A pergunta que deve ser feita neste caso é: você, como indivíduo, se disporia a pagar mais por alguma coisa, digamos, um pão, se for informado de que o homem que o fabricou tem seis filhos? Uma pessoa honesta por certo responderia negativamente, dizendo: “Em princípio, sim. Mas na prática tenderia a comprar o pão feito por um homem sem filho nenhum.” ¹.

Ou seja, os preços estão ali para ricos, pobres, poupadores, devedores, assim como o sol e a chuva cai para nós, a lei da oferta e procura é igual. Ao mudá-la para tentar ajudar aos que mais necessitam justamente se tem o resultado contrário, ao manter o preço permite que não só o pobre mas o rico possa comprar ainda mais o produto percebendo a “estabilidade” do preço como uma vantagem.

Ao interferir na procura, limitando a compra por indivíduo diminui o aumento do preço, mas quando se pensa no ofertante que mesmo já tendo comprado tal lote de produtos, ao acabar o atual lote terá que fazer uma nova compra e dependendo da situação do mercado esse novo produto poderá estar mais caro. Portanto, esse lucro adicional será necessário para manter as ofertas de quantidades iguais às de antes, caso o preço do lote permaneça o mesmo ele consegue comprar mais produtos podendo ofertar mais e equalizando a relação de oferta e procura.

A mudança de preços gera informação para o mercado, isto é, para os envolvidos na produção deste produto, por exemplo, os produtores dos frascos e do álcool gel, notariam que com os preços mais altos podem agora aumentar a produção já que o novo preço suporta um custo maior. Logo, influenciando no lucro, o governo diminuiu a oferta do próximo lote que o vendedor de tais produtos irá comprar e consequentemente limita uma maior produção do produtor mantendo a curva da procura ainda alta e com ela os preços.

Nesse caso, o mercado não protege os pobres? O mercado é um mecanismo de trocas voluntárias ele não tem julgamento de valor, citando mais uma vez Mises.

“Nenhum juízo de valor é feito quanto à razão ou o conteúdo da ação. Economia é neutra. A economia lida com os resultados de juízos de valor, mas a economia em si é neutra.”².

O mercado é feito de pessoas elas sim podem fazer julgamentos de valor baseado na compaixão e empatia, todo ato de valor deve partir do indivíduo e não de um governo, deve ser algo natural tanto quanto a lei da oferta e procura, se não poderemos ter resultados opostos aos que queremos evitar.