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Como o estado cria os maiores criminosos

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Imagine que o estado quer proibir o comércio de maçãs, o mercado de maçãs movimenta 1 bilhão por ano, ao proibir o estado não faz que as pessoas que antes comiam maçãs parem de gostar disso, portanto o mercado ainda existe, porém, agora é ilegal. Antigamente havia 1000 produtores de maçã, mas com esta nova lei alguns saíram já que a pena por continuar neste mercado é muito dura, então apenas 100 produtores ainda desejam continuar neste mercado, contudo agora com menos concorrência a hipótese de faturar mais é certa tornando a prática da ilegalidade atraente mesmo que o custo de estar no mercado a partir de agora aumente bastante. Entretanto, estes 100 produtores diferentes do cenário anterior agora terão que se proteger caso o estado resolva puní-los, por isso eles terão armas e punirão qualquer um que possa dedurá-lo ao estado.

O estado vendo que o comércio não cessou resolve ser mais severo e a partir de agora temos 10 produtores, estes produtores que resolveram continuar terão mais custos, mas também bem menos concorrência e uma grande chance de ter 10% do mercado, então tais custos serão irrisórios perto do lucro que terão, portanto, comprarão mais armas para proteger seu negócio e punirão mais pessoas para que possam continuar funcionando. O estado percebe que o mercado ainda existe e que agora além deste problema a violência aumentou na região, então resolve investir mais em segurança e ser mais severo.

A muitos anos o estado proibiu a venda de entorpecentes com a justificativa de que os indivíduos que os utilizam dão custos na saúde e à segurança. Com isso foram gerados outros problemas que traziam efeitos piores dos que os anteriores a proibição, trazendo mais violência envolvendo pessoas que nunca seriam atingidas e desperdiçando dinheiro numa luta que nunca terá fim.

A história da proibição é muito longa havendo indícios em tempos anteriores a Cristo, mas vamos começar por uma proibição que aconteceu nos Estados Unidos na década de 20 e 30, a do álcool. Os conservadores da época incomodados com o incômodo que indivíduos alcoolizados causavam em relação à moral pressionaram o estado a proibir o comércio de bebidas.

Como no exemplo do início do texto algumas leis positivas do estado não refletem a realidade, ao proibir o comércio a lei não fez que as pessoas não gostassem mais de álcool, apenas que não houvesse um mercado legal de tal produto, e para suprir o desejo das pessoas surgiu um mercado negro que pelo seu alto risco chamou a atenção de contraventores e expulsou do mercado os produtores pacíficos.

Para abrir um negócio sempre é levado os custos, os custos de continuar comercializando algo dito ilegal é a apreensão do produto, fechamento do comércio e prisão dos envolvidos, portanto, os indivíduos que se propuseram a vender tais produtos assumem estes riscos, que por mais que sejam altos ele é compensado pela menor concorrência, já que diversos indivíduos não desejam enfrentar a força do estado, trazendo assim mais lucros para os que permanecem.

Já que o estado pune severamente os que não respeitam a lei, então tais coisas foram adotadas:

  • Qualquer participante do negócio deveria ser bastante confiável, qualquer suspeita de traição poderiam ocasionar em morte do mesmo.
  • Morte de qualquer civil que dedurar o negócio a um agente do estado.
  • Corrupção de policiais já que o custo de tê-los pode ser mais barato que sua falta e a provável perda do local de comércio ilegal.
  • Necessidade de armamento para intimidar civis da região e contrapor ao estado.

Os pontos citados são bem semelhantes aos vistos em favelas e regiões dominadas pelo tráfico de drogas hoje. Não à-toa a lei seca dos Estados Unidos acabou em 1933, sendo um fracasso total. Quando foi instaurada a guerra contra as drogas em diversos países os resultados foram os mesmos, matando pessoas que não teriam relação com isso caso o comércio fosse legal e gastando recursos numa guerra que não pode vencer, que acaba recaindo nos ombros de todos que o sustentam.

A história se repete em lugares como Brasil e México temos um problema que atinge uma parcela grande da população, a solução do estado é sempre a mesma: ser mais severo. Como dito no começo do texto: quanto mais o estado é severo, mais ele atrai pessoas que desconsideram a ética e praticam crimes em busca de um retorno mais alto de capital. Tais discursos ainda são comuns como na candidatura do atual governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que sugeriu que snipers abatessem qualquer um que portasse fuzis, já que apenas pessoas que portam estas armas que são de criminosos geralmente ligados ao tráfico de drogas, e do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, que pune com pena de morte qualquer indivíduo que trafique drogas no país.

O comércio nesses lugares sumiram? Claro que não, em uma chance maior de lucro sempre haverá alguém disposto a assumir o risco tomando assim as medidas necessárias que como já citadas: violência e medo. A solução com certeza é liberar o comércio e deixar que as pessoas possam se defender de tais criminosos caso eles ainda queiram cometer crimes, então em vez de abater pessoas com fuzis que tal apoiar o fim de impostos em armas e a permissão do porte de armas irrestrito em seu estado, governador Witzel?

Como sempre o estado cria problemas e quer ser a solução dos mesmos, como libertário tenho a dizer que o uso de entorpecentes é um escolha pessoal e que não prejudicando ninguém não há crime nisso. Problemas causados pelo consumo de drogas não são culpa do usuário e sim do estado, seja a morte de policiais e pessoas inocentes ou maior gasto no sistema de saúde, que deveria ser 100% privado.